Ernst Jandl bei einer Lesung, 1974
(Foto: Wolfgang H. Wögerer, Wien, Österreich,
CC BY-SA 3.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0>;, via Wikimedia Commons)

Ernst Jandl (1925-2000) é certamente um dos representantes mais notáveis da literatura austríaca pós-guerra.

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Na Áustria, Jandl tornou-se um escritor conhecido ao longo dos anos 1960, embora nem sempre tivesse sido reconhecido por todos os leitores e críticos. No final dos anos 1950, quando foram publicados seus primeiros poemas, angariou a fama de representar um perigo para a juventude. [...] a sociedade da época estava dominada pelos esforços de reconstruir o país e sua economia e por um forte conservadorismo cultural, e os experimentos formais com a linguagem foram extremamente propícios para despertar a irritação em ampla escala.

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[Jandl] foi um poeta multimidial que sabia ultrapassar os limites entre a poesia, a performance, a música e as artes plásticas; entre a palavra, o som e a imagem. [...] Quase todos os seus poemas foram concebidos para apresentação acústica, não necessariamente para serem lidos, mas para serem ouvidos; poemas sonoros só ganham seu efeito ao serem lidos em voz alta, as músicas, apenas ao serem cantadas.

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Talvez tenham sido essas interpretações acústicas que Jandl fez das suas próprias criações poéticas ou um ou outro poema visual que o fizeram conhecido também no Brasil – pelo menos entre os representantes da poesia concreta do país: Augusto e Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Pedro Xisto, os autores do plano-piloto para poesia concreta lançado em 1956.

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Ou seja, os concretistas brasileiros sabiam que a Áustria dos anos 1960 tinha mais a oferecer do que o milagre econômico pós-guerra. Jandl, por sua vez, sabia que no Brasil [...] existia um movimento literário de vanguarda. No seu espólio, foram encontrados diversos textos de representantes dessa vertente brasileira. [...] O espólio completo do poeta austríaco é administrado pela Biblioteca Nacional da Áustria e é possível que ele contenha mais indícios e exemplos do seu contato com os concretistas brasileiros – e, quem sabe, até de influências mútuas? Um vasto campo para pesquisas na área de literatura!

Fonte:

  • BOHUNOVSKY, Ruth (2016); “Ernst Jandl e os concretistas brasileiros: para Brasil so far away – wulld ich laik du go”, in: Feldmann, Marianne; Ferrão, Cristina; Soares, José Paulo Monteiro; Klagsbrunn, Victor Hugo, Olhares Cruzados: Áustria – Brasil, Brasil: Kapa Editorial e Embaixada da Áustria, 277-280.
Zuletzt geändert: Montag, 16. Dezember 2024, 10:20